Desporto e valores: o que o campo de jogo pode ensinar à vida cívica
- 29 de nov. de 2020
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Atualizado: 30 de mai.
O desporto é, nas suas melhores expressões, uma metáfora da vida cívica. Tem regras que todos os participantes aceitam. Tem árbitros cuja autoridade é reconhecida, mesmo quando se discorda das suas decisões. Tem uma ética de esforço, de respeito pelo adversário e de aceitação dos resultados que deveria, idealmente, transbordar para fora do campo.
Mas o desporto é também, nas suas piores expressões, um espelho das patologias sociais: a violência, a corrupção, o narcisismo, a pressão comercial que perverte os valores que o jogo deveria encarnar. O futebol europeu oscila entre estes dois pólos com uma regularidade que já não surpreende mas que continua a interrogar.
A perspectiva maçónica sobre o desporto não é de desprezo nem de ingenuidade. A Maçonaria respeita o corpo como instrumento do espírito — uma ideia herdada da Antiguidade clássica que a tradição iniciática preservou. E respeita o jogo como escola de virtudes: disciplina, cooperação, resiliência, fair-play.
O que o desporto pode ensinar à vida cívica é precisamente aquilo que a vida cívica às vezes esquece: que as regras existem para todos, que o mérito deve ser reconhecido, que a derrota é parte do jogo e que a grandeza de um jogador — ou de um cidadão — se mede tanto na forma como ganha quanto na forma como perde.



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