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Saudade: o poema de Aguinaldo Silva e a alma portuguesa

  • 30 de mai.
  • 1 min de leitura

A saudade é, provavelmente, a palavra mais densamente carregada da língua portuguesa. Não tem tradução exacta em nenhuma outra língua — o que não é uma curiosidade folclórica, mas um facto filosófico: há experiências humanas que só existem plenamente na língua que as nomeou.


Aguinaldo Silva — escritor, jornalista e roteirista brasileiro, responsável por algumas das narrativas televisivas mais assistidas do país — escreveu sobre a saudade com a autoridade de quem vive numa língua que a carrega desde os primeiros trovadores medievais. A sua abordagem cruza a tradição literária portuguesa com a sensibilidade brasileira, produzindo algo novo sem trair nenhuma das suas origens.


Para a Maçonaria, a saudade tem uma ressonância particular. A iniciação é, entre outras coisas, uma experiência de perda e de recuperação: o iniciado perde a sua identidade profana para ganhar uma nova dimensão de si mesmo. Há uma saudade específica do estado anterior — e há também uma saudade do que ainda não se alcançou, da luz que se vislumbra mas que ainda não se possui por inteiro.


A saudade, neste sentido, não é apenas tristeza pelo passado. É também tensão em direcção ao futuro: o sentimento de quem sabe que há mais, que falta algo, que a caminhada não terminou. É, estranhamente, um sentimento de esperança — a mais portuguesa das esperanças, que nunca se confunde com a certeza.


O Globo Terrestre e os Valores da Maçonaria
Aguinaldo Silva e a alma portuguesa

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