Moda e identidade: o vestuário como linguagem simbólica
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A moda raramente é tratada como tema sério nos espaços de reflexão institucional. É associada à superficialidade, ao consumo, à vaidade — tudo o que uma instituição como a Maçonaria, com a sua ênfase na substância sobre a aparência, tenderia a rejeitar. Mas esta leitura é simplista. O vestuário é, em todas as culturas e em todos os tempos, uma linguagem simbólica de grande complexidade.
A própria Maçonaria usa o vestuário com intencionalidade simbólica. O avental maçónico — herdado dos construtores medievais — é talvez o símbolo mais imediatamente reconhecível da irmandade. Mas há também as luvas brancas, os colares de cargo, as jóias de Loja: todo um sistema de indumentária ritual que comunica posição, função e compromisso dentro da instituição.
O vestuário diz quem somos — ou quem queremos ser visto como. Diz a que grupo pertencemos, que valores queremos projectar, que relação temos com o corpo e com a presença pública. Quando um Maçom veste o avental na Loja, não está apenas a cumprir um protocolo: está a afirmar a sua pertença a uma comunidade e a sua aceitação dos seus valores e práticas.
A moda — entendida não como tendência de temporada mas como sistema de comunicação através do vestuário — é, neste sentido, um tema que merece atenção intelectual séria. O My Fraternity aborda-a com o interesse de quem reconhece no símbolo visual uma forma de conhecimento que o texto não esgota.
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