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As Lojas da Grande Loja Nacional Portuguesa: história, identidade e missão

  • há 2 horas
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A Grande Loja Nacional Portuguesa é a principal Obediência da Maçonaria regular e tradicional em Portugal — aquela que é reconhecida pelas principais Obediências tradicionais do mundo. A sua história recente é indissociável de um momento de ruptura e de reconstituição que marcou profundamente a Maçonaria portuguesa no final do século XX.


A cisão que originou a GLNP ocorreu em 1996, a partir da Grande Loja Regular de Portugal. Um conjunto de Lojas e de Maçons decidiu reconstituir uma Obediência fiel aos princípios da Maçonaria regular — nomeadamente a crença no Grande Arquitecto do Universo como condição de admissão, a prática nos três graus simbólicos do Rito Escocês Antigo e Aceite, e o alinhamento com as normas e tradições da Grande Loja Unida de Inglaterra. Em 9 de março de 2000, essa Obediência foi oficialmente registada com o nome de Grande Loja Nacional Portuguesa.


Templo Maçónico montado e com o Oriente com alguns Grandes Oficiais.
Templo Maçónico

O nome não é arbitrário. «Nacional» afirma a soberania portuguesa da instituição — a sua independência de qualquer tutela estrangeira, ao mesmo tempo que reconhece a irmandade universal com as Obediências regulares e tradicionais de todo o mundo. «Portuguesa» afirma o enraizamento num país com uma história maçónica longa, complexa e frequentemente subestimada — uma história que inclui figuras como o Marquês de Pombal, que alguns historiadores associam à Maçonaria, e personagens centrais do liberalismo oitocentista português.


A Maçonaria tradicional portuguesa tem uma tarefa permanente de afirmação da sua identidade num contexto em que a Maçonaria é frequentemente confundida, distorcida ou associada a narrativas de conspiração que nada têm a ver com a realidade das suas Lojas e dos seus membros. A GLNP representa, neste contexto, uma voz de seriedade institucional: uma Obediência que se governa por estatutos claros, que pratica rituais reconhecidos, que mantém relações de reconhecimento mútuo com as principais Obediências do mundo, e que exige dos seus membros um compromisso com valores que transcendem o interesse individual.


A GLNP é composta, à data deste artigo, pelas seguintes Lojas, trabalhando todas nos três primeiros graus simbólicos do Rito Escocês Antigo e Aceite:


D. Afonso Henriques n.º 1 — a Loja fundadora, cujo número de ordem reflecte a prioridade histórica e simbólica que lhe é reconhecida dentro da Obediência. O nome evoca o primeiro rei de Portugal, a fundação da nação e a ideia de que construir exige tanto coragem como persistência.


Fraternidade n.º 2 — o nome que resume, numa única palavra, o princípio central da vida maçónica: a relação fraterna entre homens de diferentes origens, convicções e percursos, reunidos sob um compromisso comum.


Mestre Hiram n.º 3 — uma referência directa à figura central da mitologia maçónica: o arquitecto do Templo de Salomão, símbolo da perfeição artesanal, da lealdade aos princípios e do sacrifício pelo conhecimento.


Liberdade n.º 4, Identidade n.º 5, Sabedoria n.º 6 — três Lojas cujos nomes formam, em conjunto, uma sequência de valores que a Maçonaria considera inseparáveis: não há identidade sem liberdade, e não há liberdade duradoura sem sabedoria.


S. Jorge n.º 7, Amizade n.º 8, Trabalho n.º 9 — a amizade e o trabalho são os dois pilares da vida quotidiana de uma Loja: o encontro fraterno e a produção de obra. S. Jorge, padroeiro de Inglaterra e figura de coragem, recorda os laços históricos entre a Maçonaria portuguesa e a tradição britânica.


Fernando Pessoa n.º 10 — talvez a mais literariamente significativa das Lojas da GLNP. O nome do maior poeta português do século XX não é apenas uma homenagem cultural. Pessoa tinha interesse documentado pela Maçonaria e pelas tradições iniciáticas, e alguns dos seus heterónimos partilham traços de pensamento que a tradição esotérica ocidental reconheceria como seus.


S. Pedro n.º 11, Casa Real dos Pedreiros Livres da Lusitânia n.º 12, Santiago n.º 13 — nomes que evocam tradições espirituais e históricas de longa duração: o apóstolo Pedro, fundação da Igreja; os construtores medievais, antepassados simbólicos da Maçonaria; Santiago, o caminho e a peregrinação como metáfora da vida iniciática.


Iberia Fraternitas n.º 14 — um nome que afirma a dimensão ibérica da fraternidade maçónica: a consciência de que Portugal e Espanha partilham uma história e uma cultura que a Maçonaria pode ajudar a aproximar, para além das fronteiras políticas.


David n.º 15, Estrela do Oriente n.º 16, Coríntia n.º 17 — referências ao universo bíblico, astronómico e clássico que a simbologia maçónica integra numa síntese própria: o rei-poeta, a estrela que orienta, a cidade grega onde Paulo escreveu sobre a caridade como virtude suprema.


Almeida Garrett n.º 18 — homenagem ao escritor e político português do século XIX, figura central do romantismo português e do liberalismo constitucional. Garrett não foi apenas um escritor: foi um homem público que atravessou a história política do seu tempo com uma consciência cívica que a Maçonaria reconhece como sua.


Dómus n.º 19, Viriato n.º 20, Cavaleiros da Luz n.º 21, José Damião n.º 22 — o domus como casa e lar, espaço de pertença; Viriato como símbolo da resistência e da identidade lusitana; os Cavaleiros da Luz como evocação da iluminação iniciática; José Damião como homenagem a uma figura da tradição maçónica portuguesa.


A Loja de Investigação Tomás Cabreira completa o quadro — uma Loja dedicada ao estudo e à pesquisa histórica e filosófica no interior da tradição maçónica, cujo nome evoca um matemático e político português do início do século XX.


O conjunto destas Lojas constitui mais do que uma estrutura administrativa. É um mapa de valores, de referências culturais e de intenções: os nomes escolhidos dizem o que cada comunidade de Maçons quis para si quando se constituiu. Lidos em conjunto, formam um retrato da Maçonaria regular portuguesa — enraizada na história do país, aberta à dimensão universal da irmandade, comprometida com os princípios que definem a tradição regular.


A GLNP prossegue o seu trabalho com a consciência de que a Maçonaria em Portugal tem uma missão específica: ser um espaço de liberdade, de rigor ético e de fraternidade genuína num país que, como todos os países, precisa de instituições que coloquem os princípios acima dos interesses. Esse trabalho faz-se em silêncio, Loja a Loja, Irmão a Irmão. Mas os seus efeitos são reais — e o My Fraternity tem por missão dar-lhes visibilidade.


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