Padre inicia-se na Maçonaria; arquidiocese abre inquérito
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A 12 de maio, numa loja maçónica em Itabaiana, no interior de Sergipe, o padre Gilvan José de Carvalho foi iniciado no Grande Oriente do Brasil. A cerimónia foi publicada no site oficial da obediência, que a descreveu como um momento de emoção e pertença, considerando-a uma das mais emblemáticas do capítulo sergipano nas últimas décadas.
A cerimónia decorreu numa loja maçónica em Itabaiana, Sergipe, a 12 de maio de 2026, com a presença de membros da comitiva do Grão-Mestre do GOB/SE.
O Grande Oriente do Brasil identificou o padre Gilvan José de Carvalho como sacerdote em atividade da Igreja Católica Apostólica Romana no Estado de Sergipe. A presença de membros da comitiva do Grão-Mestre do GOB/SE, Wolney de Melo Dias, sublinhou o peso institucional que a obediência atribuiu ao ato.

A arquidiocese de Aracaju oferece uma leitura diferente da situação do clérigo. Em nota assinada pelo arcebispo metropolitano Dom Josafá Menezes da Silva, a instituição informa que o padre Gilvan se encontra afastado das suas atividades ministeriais para tratamento psicológico, sem exercer funções pastorais em nenhuma paróquia ou instituição arquidiocesana. A nota não menciona a Maçonaria, mas anuncia que as informações divulgadas serão apuradas com responsabilidade e prudência, para o discernimento das medidas canónicas aplicáveis.
Gilvan José de Carvalho nasceu a 25 de dezembro de 1967 e foi ordenado sacerdote a 14 de dezembro de 1994. O site da arquidiocese listava-o, até à publicação desta notícia, no elenco do clero diocesano com a indicação de afastado para cuidar da saúde mental.
O Grande Oriente do Brasil enquadrou a iniciação numa tradição de clérigos católicos ligados à Maçonaria brasileira: Frei Caneca, Dom José Joaquim Azeredo Coutinho, Padre Joaquim Almeida, Frei Sampaio e Frei Montalverne são os nomes evocados. A obediência apresentou o evento como prova da abertura da instituição ao diálogo entre diferentes pensamentos, crenças e vocações. A questão canónica não é mencionada.
Essa questão é, contudo, relevante. O Código de Direito Canónico não proíbe explicitamente a filiação maçónica, mas a Congregação para a Doutrina da Fé declarou em 1983 que os católicos inscritos em associações maçónicas se encontram em estado de pecado grave e não podem receber a sagrada comunhão. A nota da arquidiocese de Aracaju, sem nomear a Maçonaria, sinaliza que um processo canónico será aberto. As suas consequências — incluindo eventual suspensão das ordens ou outras medidas disciplinares — dependerão do apuramento dos factos e da resposta do próprio padre.
O afastamento por tratamento psicológico poderá, segundo canonistas, ser ponderado na avaliação da responsabilidade do sacerdote. Mas a iniciação foi pública, documentada pelo Grande Oriente do Brasil, e o clérigo identificado com o seu nome completo e condição sacerdotal.
A fronteira entre a Igreja Católica e a Maçonaria é, no Brasil, um terreno historicamente denso. A república brasileira foi proclamada em grande parte por maçons; vários padres do século XIX circularam pelos dois universos sem que isso constituísse ruptura pública. O GOB/SE invocou esses precedentes com intenção clara. Se a arquidiocese de Aracaju chegará à mesma conclusão permanece em aberto.



A norma é válida para todos os católicos, e em todos os países. Não se limita apenas ao Brasil.
Na maçonaria há regras, normas e outras condutas, assim como toda entidade que tenha um quadro de membros.
O padre não seguiu as da qual faz parte e, terá analisada sua conduta pela entidade a qual juramentou...