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A VIDA É SONHO

"La vida es sueño" é o título de uma peça de Calderón de la Barca. É mesmo, é mesmo sonho. Não se trata de outra coisa senão disso. Aquilo a que não atribuímos finalidade torna-se fantasmático, recolhe-se no vago do etéreo.


Não entendo a finalidade da minha vida, em sentido ontológico e existencial. Apenas sei que me fizeram nascer e que o tempo, divindade implacável, me fará envelhecer e finalmente perecer. É só o que verdadeiramente sei. Tudo o resto que se queira afirmar é uma simples conjectura, uma fé.


Assim sendo, a vida não pode ser senão sonho. Sou eu que vou desdobrando esse sonho acordado. Sou eu que lhe posso conferir aquela finalidade utilitária que comanda os nossos gestos de sobrevivência. Mas uma finalidade utilitária não é nada senão o reflexo da minha interioridade casual. Falta-me, falta-nos por inteiro a certeza inabalável da nossa utilidade última, o conhecimento do serviço que o tempo nos reclama.


Por isso, se a minha determinação fica sempre por inscrever nos desígnios do Todo, o meu acto de viver só se resume à projecção do meu sonho.


Sim , Calderón, "la vida es sueño". Definitivamente.


@Autor: A.C.H.

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