HISTÓRIA E FILOSOFIA DO GRAU 4 DO R.E.A.A.

HISTÓRIA E FILOSOFIA DO GRAU 4 DO R.E.A.A. (in “Ad Frateres, 2011)


O Grau 4 do Rito Escocês Antigo e Aceite é o primeiro do sistema de Altos Graus deste Rito, tal como foi estabelecido pelas Grandes Constituições de 1786, que segundo a tradição, foram sancionadas por Frederico II da Prússia, a 19 de Maio daquele ano, soberano que reunia um grande prestígio mundial, tanto a nível social e político como maçónico.

Importa referir que o Regime Escocês ou Escocismo terá surgido na França, nos finais do séc. XVII, e terá sido criado por maçons católicos, protestantes e judeus, imprimindo-lhe desde logo uma vertente universalista e independente de qualquer Religião, a qual procurou manter e enaltecer até aos dias de hoje.

A elaboração das Grandes Constituições teve por fim a colocação de ordem no caos resultante da proliferação de Ritos que se intitulavam do Regime Escocês, em meados e finais do séc. XVIII. Daí a divisa adoptada até hoje pelo R.E.A.A. : “Ordo ab Chaos”.


O Grau 4 pertence à primeira série dos Altos Graus do R.E.A.A., denominada de Graus Inefáveis ou de Perfeição, que compreende os Graus entre o 4 e o 14, série também conhecida por Maçonaria Vermelha.

O termo Inefável provém do facto de nestes Graus, por diversas vezes, se fazer referência ao nome da Divindade, que, por não ser conhecido, não se pode pronunciar, o que o torna, portanto, inefável ou indizível.

O termo Perfeição, atribuído tanto aos Graus como à Loja que os transmite, refere-se à procura constante do Aperfeiçoamento que os Mestres Maçons devem manter, desiderato porventura inatingível, mas que terá de ser perseguido com perseverança.

Estas Lojas têm ainda o subtítulo de Excelsa ou Excelente, porque os ensinamentos e práticas ministrados nestes 11 Graus excedem os adquiridos nos Graus Simbólicos.

Ao Presidente da Excelsa Loja de Perfeição é-lhe conferido o título de Três Vezes Poderoso Mestre, como evocação das figuras do Rei Salomão, do Rei Hiram de Tiro e do Mestre Hiram Abif.


O Grau 4 é designado por Mestre Secreto. É uma continuação do Grau 3., Mestre Maçon, em que se volta a chorar a morte de Hiram Abif.

Nesta primeira etapa do Caminho da Loja de Perfeição retorna-se à temática do Silêncio, do Sigilo e da Fidelidade, temas gratos e recorrentes na Maçonaria. Porque importa que nunca sejam olvidados e que os Obreiros os mantenham presentes para sempre.

Neste Grau exorta-se os Obreiros à Obediência, ao sentimento do Dever, à exaltação da Virtude e à disponibilização permanente para o Trabalho e Estudo maçónicos.

Neste Grau proclama-se que o ideal da Maçonaria é a VERDADE. Mas o que é a VERDADE? Todas as verdades serão relativas? Inerentes a cada ser humano e a cada época? Ou haverá uma verdade absoluta? E o Homem poderá, com as suas limitações, discerni-la ou mesmo entrevê-la?

Não sabemos se alguma vez teremos resposta para estas interrogações. Temos o Dever de, em Silêncio e com Tolerância, saber ouvir os outros e, em união, dia após dia, percorrermos o Caminho que nos conduza a uma sociedade mais justa, solidária e fraterna. Em que a Liberdade de pensamento seja uma realidade, com o Respeito pelos Direitos de todos os Homens.

Para tal, enquanto maçons dentro dos nossos Templos, deveremos manter-nos independentes de todas as doutrinas religiosas, políticas, económicas e sociais. E, em quaisquer circunstâncias, dentro e fora de colunas, mantermo-nos vigilantes e prontos a lutar contra a Tirania e os Fundamentalismos.

O Grau 4 das Lojas de Perfeição do R.E.A.A. pretende ser uma porta para um Caminho, que os Mestres Maçons possam percorrer e partilhar com outros irmãos, sem preconceitos prévios, em Paz, Harmonia e Tolerância na demanda da Verdade e da Perfeição.

Para finalizar, resta-me ilustrar este texto sucinto com um excerto paradigmático e angular do Ritual:“…uma extraordinária admiração deve a todos empolgar, pois é sublime reunir, no seio de uma Loja, cristãos, protestantes, católicos, espíritas, maometanos, israelitas e budistas, como monarquistas e republicanos e a todos dizer: «Aqui, as vossas disputas não encontrarão eco, aqui, não ofendereis a ninguém e ninguém vos ofenderá»

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