Migrações Sefarditas


Há uma página num jornal local em Bragança, com o seguinte título num artigo: “Nós transmontanos, sefarditas e marranos”. Creio que o título correcto será: “Nós, transmontanos, sefarditas e marranos”. O que quer dizer a palavra “sefardita”? E a palavra “marrano” ou “marranismo”? O termo sefardita está associado ao rito e aos costumes. O mais relevante é dizer-se que um dos ritos usados no judaísmo é sefardita. Trata-se de um rito português e é muito praticado no mundo. Mas os judeus estão para além do rito. Há costumes que colocam em prática. Podemos pois dizer que o termo sefardita são os RITOS E COSTUMES JUDAICOS, que são praticados no mundo, com ORIGEM em Portugal e DIFUNDIDOS por judeus portugueses e espanhóis. O termo marrano é pejorativo. Se consultarmos um dicionário dir-nos-á que o termo representa o nome dado aos “cristãos-novos”, que praticavam o cristianismo. Mas estes “cristãos-novos” também praticavam (às escondidas) o judaísmo. Era um termo usado na Idade Média pelos cristãos velhos, que procurava designar de forma injuriosa os "cristãos-novos", que aqui viviam e praticavam o rito sefardita. Este pequeno texto é uma síntese para se ajudar a diferenciar melhor estes dois termos. Mas creio que o termo MARRANO está para além dessa simples designação. Este termo representa as ambiguidades que os judeus viviam nessa época. Representa as angústias e os dramas das pessoas. Há efetivamente uma história socioeconómica diferente entre judeus; crenças religiosas diferentes; uma história intelectual também diferente. Apesar das conotações pejorativas de uma outra época, há uma realidade muito objetiva: a “religiosidade”. Não se trata de uma definição teológica, mas as contradições que viviam, as angústias, os dramas, as práticas, as crenças e que representam nessa unidade o que podemos definir como o marranismo.

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